Pra quem ainda come carne:
Melhor é a comida de hortaliça, onde há amor, do que o boi cevado, e com ele o ódio.
Provérbios 15; 17
pra mim/nós/tu/eles/elas/todos/nenhum escriturinhas de mim-mundo, de dia-a-dia pra compartilhar
domingo, 5 de outubro de 2008
Lamentações
Deus , por que me deste personalidade,
Se sabias que eu era mulher
E sofreria?
Deus, por que me deste necessidade
De versos e amores,
Se sabias que eu era mulher e não podia?
Deus, por que me deste
Independência material, espiritual e intelectual
Se me sabias fêmea?
Porque não um marido, três filhos
Uma casa com quintal e cão e
Um retrato pra pendurar na sala de jantar?
Deus , por que me deste personalidade,
Se sabias que eu era mulher
E sofreria?
Deus, por que me deste necessidade
De versos e amores,
Se sabias que eu era mulher e não podia?
Deus, por que me deste
Independência material, espiritual e intelectual
Se me sabias fêmea?
Porque não um marido, três filhos
Uma casa com quintal e cão e
Um retrato pra pendurar na sala de jantar?
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
I´m not perfect.
Medos mudos.
Minha pele é sensível,
se espalham em mim dores.
Meus olhos às vezes acordam tristes.
Meu cabelo: não é nem bom nem ruim,
e também grisalho.
Haverá espaço pro que não é perfeito?
Esse espaço, onde?
Não o lugar comum – no mundo...
Em mim, há espaço pro imperfeito?
Descarto tudo que tem defeito.
Descarto tudo.
A solidão: única incorrigível coisa.
Medos mudos.
Minha pele é sensível,
se espalham em mim dores.
Meus olhos às vezes acordam tristes.
Meu cabelo: não é nem bom nem ruim,
e também grisalho.
Haverá espaço pro que não é perfeito?
Esse espaço, onde?
Não o lugar comum – no mundo...
Em mim, há espaço pro imperfeito?
Descarto tudo que tem defeito.
Descarto tudo.
A solidão: única incorrigível coisa.
Tudo tem hora certa,
intui, respira, aperta
suspira, conspira
e acerta.
Fecho uma porta torta,
Pra ele entrar pela reta.
Nunca tranco a janela
Do que não se vê,
pra espiar pela fresta.
Um veio e foi,
Outro vai,
Aquele volta.
Deus escreve cartas belas
Em linhas tortas cheias de amorosas palavras.
Ou junta tudo pra sempre, sem volta.
Ou me descola as almas agora,
Me desconsola.
Me deixa sola,
surda e muda,
Pra ver se eu aprendo de vez que amor
É mais silêncio que poema.
intui, respira, aperta
suspira, conspira
e acerta.
Fecho uma porta torta,
Pra ele entrar pela reta.
Nunca tranco a janela
Do que não se vê,
pra espiar pela fresta.
Um veio e foi,
Outro vai,
Aquele volta.
Deus escreve cartas belas
Em linhas tortas cheias de amorosas palavras.
Ou junta tudo pra sempre, sem volta.
Ou me descola as almas agora,
Me desconsola.
Me deixa sola,
surda e muda,
Pra ver se eu aprendo de vez que amor
É mais silêncio que poema.
Se fosse tricoteira,
Como as de minha linhagem
compraria somente novelos emaranhados.
Desfaria nós,
desenlaçaria fios,
num ballet de achar-a-ponta-passar-por-dentro
por-fora-volta-vai-desenrola.
E quando a linha,
desempedida de desvios,
repousasse aguardando as agulhas,
Eu suspiraria a contemplar minha obra:
um novelo liberto.
Como as de minha linhagem
compraria somente novelos emaranhados.
Desfaria nós,
desenlaçaria fios,
num ballet de achar-a-ponta-passar-por-dentro
por-fora-volta-vai-desenrola.
E quando a linha,
desempedida de desvios,
repousasse aguardando as agulhas,
Eu suspiraria a contemplar minha obra:
um novelo liberto.
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