quarta-feira, 18 de maio de 2011

para los libros, necesito los números

lo siento,

los números que deseas

no te los puedo dar.

no los tengo,

nada de ellos sé.

si son números,

son universales.

pero yo,

efímera.

doy clases,

no sé de lo números.

enseño a la gente palabras

en una lengua que no conocen,

porque las palabras

cambian.

No son números.

De los números, sé solamente

que son.

yo sé de las palabras,

que a veces están

y otras, no.

pequena oração de poeta que estuda tradução

se sou uma palavra e não sei

escritor que me grafou,

por favor não seja covarde,

em corpus ou glossário não me guarde,

mas num verso singelo de amor.

atraversia

Padeço de mundo
no petit -pave
parada pra ver
atravessar-me
o necessário.
O mundo todo
volta no vento.
Calçada de ar alheio,
mas enxuta de si.
Existir como tudo que ali.
O mundo - pequeno pensamento -
desata dentro.
Seca e afiada
a faca fria da espera:
suportável.
Os carros escorrem
tempo que se perde
quando não deveria.

Para simplesmente cruzar,
estive grávida de lado oposto.

domingo, 6 de março de 2011

Vício

com a necessidade
de sentir você em mim
sofro de abstinência.

TecaMiranda

**********
Cura

para sentir-me em ti
vencerei a abstinência
com paciência.

Lu Cañete

Para P. V.

A dor do escritor não era minha. Já o tinha visto desfiar o passado dolorido do pai, tão rude, desabado sobre um menino frágil.
A dor do escritor não é minha. Mas me dói. Nunca chego perto do escritor, a dor dele me assusta. E depois das aulas , das palestras, dos lançamentos que assisto, fico horas em casa conversando com o escritor maltratado, privado de infância, que ele conta ter sido. Eu afago aquela criança de pernas finas, eu lhe dou livros e lhe conto histórias. Eu leio as histórias do escritor, que vieram de ausências, diz ele. Da falta que lhe preenche.
Mas quando reencontro o escritor, me encolho. A dor dele me murcha, cresce sobre minhas palavras, me retrai. E não encontro a docilidade de quando o leio. E não venço os poucos metros entre meu coração e o do escritor. Ele, presente, é também só ausência.

Olimpíada de inverno

Sobre o gelo, distante. Deslizam pernas e braços e coisa esvoaçantes e incompreensíveis. Voam os sonhos da infância que nunca criaram raízes e vêm pousar sobre meu joelho direito e encarar-me no olhos. A dizer: do que deixei, do que não acreditei, do que plantei e ninguém me ensinou a regar. É bela a lâmina afiada sobre a água sólida, é bela a perna da patinadora que não entregou os pontos. E duro reabrir o sulco, encarar a fenda deixada e nunca cicatrizada. Sentir como uma bolada de neve na cara o susto do tempo que já não te permite. E esperar derretê-la, fazer-se mais leve, maleável, tranformada a ponto de novos sonhos evaporáveis.
Aqui amanso um par de rosas selvagens incomodadas, inaptas para jardins. Não tirarei espinhos epidérmicos, pra melhor devorar teu morango partido, colhê-lo da haste em riste e roê-lo com a língua do sonho. Por isso mantidos os cardos. Senão tudo desfalece como chocolate nos trópicos. E não servem, ao desfolhar-se assim o principal da copa. Mas domarei a selvageria das rosas pra que sobrevivam no diminuto de um vaso e endereçadas ao jardim sintam-se ,apenas pelo contraste, livres como condor andino.Não sei se perfume, se raiz, se pétala. Algo sempre fica na ilusão da identidade, na ficção do que se é.
Corro o corpo sobre sopros de ti, de tudo que não alcanço e inexplicavelmente me encontra. Plantada rosa em água e vaso. Vazando a vida pelo canto direito do olho esquimó. Espero algo: notícia que virá em asas de passarinhos bem pequenos. Cada palavra em uma pena, pluma , leve a montar um pássaro como o dos poemas persas. Analfabeto e compreensível.