Pai, afasta de mim o próximo domingo.
É data comercial, bem sabemos.
Mas essa palavra,
que já não posso usar como vocativo,
por todos os lados.
E tu, ao lado de cartaz nenhum
estás.
Eu, que só visitei teu túmulo
uma única vez, pra trocar as
flores de plástico por um ramo
amarelo e fresco, não vou lá
com mais frequencia porque
moro longe.
E mais que isso,
porque te levo sepultado em mim.
Podia inumerar lembranças,
mas quero agradecer a tua ausência.
Por ela te reinvento e revisito
infinitas vezes.
Isso te me faz eterno.
Este poema, pai,
celebra tua ausência
que é toda a presença
que tenho de ti.
pra mim/nós/tu/eles/elas/todos/nenhum escriturinhas de mim-mundo, de dia-a-dia pra compartilhar
domingo, 7 de agosto de 2011
quarta-feira, 18 de maio de 2011
foragida do um conto de fadas que nunca existiu
Uma soldadinha
de chumbo derretido
ia com seu
capacete de água,
seu escudo de pétalas
e a espada de pluma:
armadura de ar completa.
Vestia-se de um tudo
que nada esconde.
Destemida ia, a
amaciar o vento
com a pena-espada.
Vento que,
de sua airosa armadura,
a despia e re-vestia
a cada passo.
de chumbo derretido
ia com seu
capacete de água,
seu escudo de pétalas
e a espada de pluma:
armadura de ar completa.
Vestia-se de um tudo
que nada esconde.
Destemida ia, a
amaciar o vento
com a pena-espada.
Vento que,
de sua airosa armadura,
a despia e re-vestia
a cada passo.
para los libros, necesito los números
lo siento,
los números que deseas
no te los puedo dar.
no los tengo,
nada de ellos sé.
si son números,
son universales.
pero yo,
efímera.
doy clases,
no sé de lo números.
enseño a la gente palabras
en una lengua que no conocen,
porque las palabras
cambian.
No son números.
De los números, sé solamente
que son.
yo sé de las palabras,
que a veces están
y otras, no.
los números que deseas
no te los puedo dar.
no los tengo,
nada de ellos sé.
si son números,
son universales.
pero yo,
efímera.
doy clases,
no sé de lo números.
enseño a la gente palabras
en una lengua que no conocen,
porque las palabras
cambian.
No son números.
De los números, sé solamente
que son.
yo sé de las palabras,
que a veces están
y otras, no.
pequena oração de poeta que estuda tradução
se sou uma palavra e não sei
escritor que me grafou,
por favor não seja covarde,
em corpus ou glossário não me guarde,
mas num verso singelo de amor.
escritor que me grafou,
por favor não seja covarde,
em corpus ou glossário não me guarde,
mas num verso singelo de amor.
atraversia
Padeço de mundo
no petit -pave
parada pra ver
atravessar-me
o necessário.
O mundo todo
volta no vento.
Calçada de ar alheio,
mas enxuta de si.
Existir como tudo que ali.
O mundo - pequeno pensamento -
desata dentro.
Seca e afiada
a faca fria da espera:
suportável.
Os carros escorrem
tempo que se perde
quando não deveria.
Para simplesmente cruzar,
estive grávida de lado oposto.
no petit -pave
parada pra ver
atravessar-me
o necessário.
O mundo todo
volta no vento.
Calçada de ar alheio,
mas enxuta de si.
Existir como tudo que ali.
O mundo - pequeno pensamento -
desata dentro.
Seca e afiada
a faca fria da espera:
suportável.
Os carros escorrem
tempo que se perde
quando não deveria.
Para simplesmente cruzar,
estive grávida de lado oposto.
domingo, 6 de março de 2011
Para P. V.
A dor do escritor não era minha. Já o tinha visto desfiar o passado dolorido do pai, tão rude, desabado sobre um menino frágil.
A dor do escritor não é minha. Mas me dói. Nunca chego perto do escritor, a dor dele me assusta. E depois das aulas , das palestras, dos lançamentos que assisto, fico horas em casa conversando com o escritor maltratado, privado de infância, que ele conta ter sido. Eu afago aquela criança de pernas finas, eu lhe dou livros e lhe conto histórias. Eu leio as histórias do escritor, que vieram de ausências, diz ele. Da falta que lhe preenche.
Mas quando reencontro o escritor, me encolho. A dor dele me murcha, cresce sobre minhas palavras, me retrai. E não encontro a docilidade de quando o leio. E não venço os poucos metros entre meu coração e o do escritor. Ele, presente, é também só ausência.
A dor do escritor não é minha. Mas me dói. Nunca chego perto do escritor, a dor dele me assusta. E depois das aulas , das palestras, dos lançamentos que assisto, fico horas em casa conversando com o escritor maltratado, privado de infância, que ele conta ter sido. Eu afago aquela criança de pernas finas, eu lhe dou livros e lhe conto histórias. Eu leio as histórias do escritor, que vieram de ausências, diz ele. Da falta que lhe preenche.
Mas quando reencontro o escritor, me encolho. A dor dele me murcha, cresce sobre minhas palavras, me retrai. E não encontro a docilidade de quando o leio. E não venço os poucos metros entre meu coração e o do escritor. Ele, presente, é também só ausência.
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