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terça-feira, 22 de julho de 2008
sábado, 31 de maio de 2008
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Nada sobrou, morreram as flores, nunca consegui cultivá-las. As minhas , como os amores, são de estação, florescem na primavera e morrem no inverno. Mas as marcas sim, como aquelas que levam os bois.
Esses três presentes foram a eucarisitia de um amor, e na memória ressuscito o menino redentor que um dia , numa ilha, me pescou da tristeza e me pôs de novo num mundo de coisas vivas, pulsando mais que meu coração.
Como que começo a puxar um fio, que vem longo e logo arrasta a ponta e mais o corpo de uma enorme rede de recordações como essa.
Uma mão me puxando pra trás de uma coluna num porão, numa terça e fazendo promessas de um amor que se cumpriria entre versos e vícios.
E também a espera numa rodoviaria, quando já nem mais passagens restavam, quando já a barca cheia sem ele, mas eis que surgiu.
Uma rede com tantos peixes meio-mortos meio-vivos, peixes-paixões que devolvo ao mar. Uns voltam, outros encalham na areia e se afogam de ar, uns nadam tão longe que provelmente nunca. Outros mordiscam meus pés de tempos em tempo, há ainda uns que teimam em ficar presos por uma nadadeira ou rabo, por mais forte que sejam as sacudidas.
Mas algo do trio flor-vinho-canção persisite em mim. Como sonho de coisas que sabemos e não, de certeza que ignoramos por amor ao mistério. Persiste, mais vivo que a manhã de hoje. Um som de sina, quase inaudível emana deles e talha meu peito a ponto de agudo sobre os tímpanos.
Assim, fica um amor em mim, um cadaverzinho de anjo na minha existência de flor.
E depois vem também um gosto de pinnus elliot e cipreste, e colina na sombra subtropical.
Enterraria meus pés na tua terra, pra sepultar esse anjo morto.
Mas não tão convecida de que o morto vai de fato morrido.
Talvez criasse raízes e daí já viu... E mais: gosto de vento, o teu, aquele que te abraça no canyon e te lambe o corpo nu e cru.
Uma cachoeira de nós, e nós de pinho pra acender a lareira lá debaixo, do chalé é claro.
E não calo, em mim essa coisa clamando: recorda, lembra, revive!
A úmidade das pedras me excita, algo entre refúgio e melancolia com tesão por musgos e laje fria, pelego e tantas hortênsias.
Debaixo da árvore onde me batizaram também te encontro.
Mild
Há dias em que simplesmente não posso mudar o mundo.
E necessito ser mundana.
Me enforca um embrulho na garganta, e meu peito passa o dia oprimindo.
Há, é certo, certos dias em que necessito não sorrir.
Vou ao salão fazer as unhas e falo de futilidades.
Vago penando por vitrines e depois qualquer filme e chocolates finos.
Há esses dias, em que as crianças que morrem de fome continuam morrendo.
E os viajantes sem dinheiro e contra convenções viajam pra longe de mim.
Rezo pra não ser, ou querer ser, mais que mediana, comum, mulher, eu.
Há esses dias, sem revoluções a vista, sem planos de viagem,
sem poemas atravessados.
E um pouco, é verdade, me envergonham – esses dias.
Wild
Mas há também esse dias selvagens,
em que qualquer sinal de doçura e superficialidade
me transtorna.
Em que necessários horizontes infindáveis ferindo minhas retinas.
Há também esse dias, revolucionários e incendiários
em que não me reconheço mulher ou homem.
Numa tentativa fatigante de mais, de nunca, de rupturas de mim.
Em que não me encontro e estou.
Faminta de paisagens eternamente se decortinando,
todas as línguas, muitas tribos,
diferentes medidas e temperos pra apaziguar minha alma.
Há certo, também esse dias.
E me inquietam - esses dias.