Depois do amor
inundar,
veio este
seco silêncio
onde fui encalhar.
Eu sequei,
de tanto escoar.
Seco o céu,
seca a cama,
seco o doar.
Convoco saliva,
parece que
não vai dar.
Como não sou
baleia,
nem o greenpeace
vai ajudar.
Ressecada
e sem som:
espero
a maré
mudar.
Ou será,
esta secura,
um recuo
de tsunami
que voltará
para nos
inundar?
pra mim/nós/tu/eles/elas/todos/nenhum escriturinhas de mim-mundo, de dia-a-dia pra compartilhar
domingo, 7 de agosto de 2011
Infiltrado
Infiltrado
O amor é essa infiltração
no canto da sala.
O mofo preto pontilhando,
silencioso,
a branca aresta da parede.
O amor desaperfeiçoa
nossa pintura intacta.
Vai, aquoso, abrindo
caminhos inconcebíveis
no sólido,
na solidão.
Essa infiltração amorosa
no cantinho da sala
fungifica o aparente,
amolece o que mascara
e imprime
uma amorável paisagem
na casa.
O amor é essa infiltração
no canto da sala.
O mofo preto pontilhando,
silencioso,
a branca aresta da parede.
O amor desaperfeiçoa
nossa pintura intacta.
Vai, aquoso, abrindo
caminhos inconcebíveis
no sólido,
na solidão.
Essa infiltração amorosa
no cantinho da sala
fungifica o aparente,
amolece o que mascara
e imprime
uma amorável paisagem
na casa.
Dia do pai
Pai, afasta de mim o próximo domingo.
É data comercial, bem sabemos.
Mas essa palavra,
que já não posso usar como vocativo,
por todos os lados.
E tu, ao lado de cartaz nenhum
estás.
Eu, que só visitei teu túmulo
uma única vez, pra trocar as
flores de plástico por um ramo
amarelo e fresco, não vou lá
com mais frequencia porque
moro longe.
E mais que isso,
porque te levo sepultado em mim.
Podia inumerar lembranças,
mas quero agradecer a tua ausência.
Por ela te reinvento e revisito
infinitas vezes.
Isso te me faz eterno.
Este poema, pai,
celebra tua ausência
que é toda a presença
que tenho de ti.
É data comercial, bem sabemos.
Mas essa palavra,
que já não posso usar como vocativo,
por todos os lados.
E tu, ao lado de cartaz nenhum
estás.
Eu, que só visitei teu túmulo
uma única vez, pra trocar as
flores de plástico por um ramo
amarelo e fresco, não vou lá
com mais frequencia porque
moro longe.
E mais que isso,
porque te levo sepultado em mim.
Podia inumerar lembranças,
mas quero agradecer a tua ausência.
Por ela te reinvento e revisito
infinitas vezes.
Isso te me faz eterno.
Este poema, pai,
celebra tua ausência
que é toda a presença
que tenho de ti.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
foragida do um conto de fadas que nunca existiu
Uma soldadinha
de chumbo derretido
ia com seu
capacete de água,
seu escudo de pétalas
e a espada de pluma:
armadura de ar completa.
Vestia-se de um tudo
que nada esconde.
Destemida ia, a
amaciar o vento
com a pena-espada.
Vento que,
de sua airosa armadura,
a despia e re-vestia
a cada passo.
de chumbo derretido
ia com seu
capacete de água,
seu escudo de pétalas
e a espada de pluma:
armadura de ar completa.
Vestia-se de um tudo
que nada esconde.
Destemida ia, a
amaciar o vento
com a pena-espada.
Vento que,
de sua airosa armadura,
a despia e re-vestia
a cada passo.
para los libros, necesito los números
lo siento,
los números que deseas
no te los puedo dar.
no los tengo,
nada de ellos sé.
si son números,
son universales.
pero yo,
efímera.
doy clases,
no sé de lo números.
enseño a la gente palabras
en una lengua que no conocen,
porque las palabras
cambian.
No son números.
De los números, sé solamente
que son.
yo sé de las palabras,
que a veces están
y otras, no.
los números que deseas
no te los puedo dar.
no los tengo,
nada de ellos sé.
si son números,
son universales.
pero yo,
efímera.
doy clases,
no sé de lo números.
enseño a la gente palabras
en una lengua que no conocen,
porque las palabras
cambian.
No son números.
De los números, sé solamente
que son.
yo sé de las palabras,
que a veces están
y otras, no.
pequena oração de poeta que estuda tradução
se sou uma palavra e não sei
escritor que me grafou,
por favor não seja covarde,
em corpus ou glossário não me guarde,
mas num verso singelo de amor.
escritor que me grafou,
por favor não seja covarde,
em corpus ou glossário não me guarde,
mas num verso singelo de amor.
atraversia
Padeço de mundo
no petit -pave
parada pra ver
atravessar-me
o necessário.
O mundo todo
volta no vento.
Calçada de ar alheio,
mas enxuta de si.
Existir como tudo que ali.
O mundo - pequeno pensamento -
desata dentro.
Seca e afiada
a faca fria da espera:
suportável.
Os carros escorrem
tempo que se perde
quando não deveria.
Para simplesmente cruzar,
estive grávida de lado oposto.
no petit -pave
parada pra ver
atravessar-me
o necessário.
O mundo todo
volta no vento.
Calçada de ar alheio,
mas enxuta de si.
Existir como tudo que ali.
O mundo - pequeno pensamento -
desata dentro.
Seca e afiada
a faca fria da espera:
suportável.
Os carros escorrem
tempo que se perde
quando não deveria.
Para simplesmente cruzar,
estive grávida de lado oposto.
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