quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Um dia mergulharemos no mistério.
Dele sairemos tão encharcados de muito
quanto enxutos de palavras.
Voltaremos sagrados e silentes,
com olhos de paz eterna.

Se capazes de abismos,
se audazes a ponto de espelhos sem fundo,
de “bexigas sem pele”, “ocos sem beira”
não viveríamos esquecendo que um dia
estaremos diluidos no mistério,
que tudo
nos impele para ele.
Cada dia e todos, como oração inata,
nos preparam
para esse salto em
mais que profunda

água.
Noite morta natimorta:
que já aviso dera o sono de não vir.

Sonhos e pesadelos não serão, sussurou-se.
Não haverá o vôo entre pássaros azuis,
mulheres não mutilarão os dedos,
nem chuva incessante de coloridas contas
ou queda brusca em buraco,
roupa que encolhe
e atraso pra prova.

Será um dia escuro, a noite natimorta.
Será um dia enluarado,
com olhos estalados no teto do quarto,
depois no azulejo do banheiro e
ainda nadando na água do copo.

A noite morta ressuscita prenhe de um
orgasmo prestes a nascer na boca da namorada,
de um velho a dois minutos da morte,
de uma sirene que mergulha no breu
e de um cão que a pescará sempre.

Noite morta natimorta
meu insono te adivinha.
Horizontal é o meu desejo.
Meu abismo é horizontal.
Horizontal a altura que me determina.
Como horizontal é este amor que resiste:
Horizonte e Tao.
Endomingável

por que no domingo a água
tem outra velocidade
e é feriado nacional
em nossas vísceras?
por que no domingo
o amor é mais lento, baldio,
vadiado
e os corpos pesam
10 gramas menos?

por que no domingo
há este insético zumbido
nas retinas?
por que este vazio grávido
de tudo – oco sem beira, espera
do quê, meu deus?

por que nossas mãos ficam
quase cristalinas?
por que a ordem natural pode ser
suspensa e de uma crisálida
irromper um pássaro?
por que as árvores cantam
um tom abaixo?
e os cães latem noutra língua?
e as crianças, cavalgando
desilusões de não ser ainda, calam
desentendimentos?
por que o amor, ósseo, dói como flor
nascendo
sobre o ombro esquerdo
e a vida respinga das páginas
que viramos quando lemos?

não há consolo necessário,
domingo não é preciso.

domingo não é um dia,
apenas mais um dia.

domingo é uma semana,
domingo é a vida inteira


lu cañete + rodrigo madeira
Ela sou eu mais adiante.
Eu sinto, eu sei, eu sonho.
Ela me vê em si já encoberta de novas coisas incompreensíveis pros meus pequenos olhos de esquimó.
Ela caiu de pára-quedas e não pude devolvê-la pro alto.
Ela aterrisou com sua bússola estragada e seus mapas de cabeça para baixo(que inexplicavelmente a levam exatamente aonde deveria chegar), seus vasos úmidos e dezenas de latas arcaicas e não pude evitar.
Às vezes ainda sinto um medo, um estranhamento que cada dia parece menor, mais longínquo.
Ela sabe esse labirinto vegetal no meio da cidadezinha, o que já é quase um código secreto.
Porque também eu me desacreditei, porque também eu me impedi.
Já é época de borboletas e mariposas sairem dos casulos e também nós, de nossos medos.
E também nós.
A primavera não perdoa o desdesabrochar, nos obrigará sempre a florir.

domingo, 16 de novembro de 2008

Nós infinitamente


infinitesimal

Pequeninos, minúsculos, ínfimos,
Nanotecnólogicos, microscópicos,
Invisíveis, efêmeros, fragilissimos:
Nossos amores
Quando deveriam ser
Nossos temores.
Fui povoando de sonhos uma casa. Cresceu mais que tudo o que houve na cidade. Pelas costas sempre outras coisas. Vamos cavalgar as flores de pétalas adjacentes e sumergir depois em pequenos vidros de geléia. Vamos cortar a grama do jardim que nunca tive e soltar os cães de minha infância. Há também uma visita a ser feita, pro labirinto de cerca-viva incendiado por delinquentes juvenis – talvez meus primos. Foi e não volta, sim? Não explicaremos nada. Não há tradução nem língua possível para essas dores e contrangimentos de abandono. Eu não te teria deixado e deixei. Eu teria suplicado a tua presença se tivesse 17 anos, mas estamos velhos para esse amor desesperado, ele soará tão falso quanto o adeus que não me quiseste dar. Vamos para serra, será? Vamos praquele lugar da ponte. Vamos construir uma ponte de nós? Tá, tá , tá. Eu aceito o fim de tudo, depois que vi quando tiraram a gaiola de tucanos do Passeio Público.
Mas no sonho, paralelo ao decorrer do fim, houve uma chuva incessante, houve um salto da janela e tua voz repetindo: - Eu preciso ir embora. E a melancolia, e uma porta que não quis se abrir, mas conseguiste a chave. As rosas sem gosto só provam que foram colhidas antes do tempo.
Quem cozinha ou planta aprende que também os sentimentos tem ciclos. E se regam e adubam para que não morram.
Saudamos a primavera e suas flores paralelas, até o encontro de nossas retas pela circunferência do vasto-pequeño mundo. Sul e norte são a mesma coisa numa superfície esférica. Serão opostos apenas para quem lê mapas, planos cartesianos, não para eu que crio estradas com o que sinto e sempre tenho como ponto de chegada o coração do coração das coisas.

All cansa

A moda de atropelar doença com antibiótico,
De sufocar angústia com shopping center,
De calar amor com caixa de chocolate comprada em segredo,
de esvaziar de sentido o nosso sexto,
de descontinuar o tempo na euforia do imediato,
de se desconhecer origem e fim de nós ou tudo:
cansa.
(Essa secular fadiga se instalou, e se faz esporadicamente sobre minha alma.)
Explicar que o que se descarta não desaparece na mão do ilusionista,
Que dentro e fora se refletem sem ser mesma coisa,
Que há códigos mas também cada experiência nos impele ao aprendizado de uma nova língua,
Que gente tem formas de abrir , fechar , funcionar e emperrar conforme palavras e tons e gestos de outros:
cansa.
Mas de tudo mais me cansa
o incansável querer
o que não se alcança.

sábado, 18 de outubro de 2008

a espera

Recital na Tiradentes pra acalmar Bocágil

Então, quem está acompanhando e passar por aqui fica marcado:

12/11 - quarta-feira

ás 00:00

na nova calçada da tiradentes

recital livre pra poemas próprios

Confirmem presença postando um comment!

bjs uivantes
Lu

Recital na Tradentes pra acalama

domingo, 5 de outubro de 2008

Soplo a los cuatros vientos
mi dolor, mi cansancio y mis remordimientos.
Desde la ventana abierta
Digo amor al azar.
Si existe, pienso yo,
luego, luego
volverá.
Es triste ver un amor
deshacerse como el
azúcar en la taza umeante de
té.
Tú que me parecias
existir tan sólido como los dulces granos
se derritió en el calor
de mis líquidos.
Y no hay como cambiarlo.
Eres ahora parte de mí,
y endulza.
Ya no hay como evitarlo,
El té no se puede separar
del azúcar una vez echado.
Mueve la sopa,
la tibia sopa de legumbres
que era mi vida después que te fuiste.
Vuelves y la mueves.
Casi sin quererlo,
echas sal y cardamomo.
Echas recuerdos y dificultades,
retos y esperanzas.
Ya me veo tan en la sopa
movida, tan en el hirviente
líquido que se vuelve a sazonar
que ya siento el apetito retornar.
La lengua se desamortigua
Y empieza a echar saliva.
Bueno o malo el sazón,
la sopa movida es
lo mejor de la vida.
Solo me salen em español
las palabras de hoy.
Y quiero decir amor,
sol y más.
Al igual que todo,
yo también te voy a
olvidar.
Al igual que todo,
yo también te voy a guardar.
Y más aún, al igual que todo,
Yo te recordaré.
Bajo el sol y la sombra de
un amor que viene y va.
Pra quem ainda come carne:

Melhor é a comida de hortaliça, onde há amor, do que o boi cevado, e com ele o ódio.
Provérbios 15; 17
Lamentações

Deus , por que me deste personalidade,
Se sabias que eu era mulher
E sofreria?
Deus, por que me deste necessidade
De versos e amores,
Se sabias que eu era mulher e não podia?
Deus, por que me deste
Independência material, espiritual e intelectual
Se me sabias fêmea?
Porque não um marido, três filhos
Uma casa com quintal e cão e
Um retrato pra pendurar na sala de jantar?

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

ciclista marinho


a sombra assombra


I´m not perfect.
Medos mudos.
Minha pele é sensível,

se espalham em mim dores.
Meus olhos às vezes acordam tristes.
Meu cabelo: não é nem bom nem ruim,

e também grisalho.
Haverá espaço pro que não é perfeito?
Esse espaço, onde?
Não o lugar comum – no mundo...
Em mim, há espaço pro imperfeito?
Descarto tudo que tem defeito.

Descarto tudo.
A solidão: única incorrigível coisa.
Tudo tem hora certa,
intui, respira, aperta
suspira, conspira
e acerta.

Fecho uma porta torta,
Pra ele entrar pela reta.
Nunca tranco a janela
Do que não se vê,
pra espiar pela fresta.
Um veio e foi,
Outro vai,
Aquele volta.

Deus escreve cartas belas
Em linhas tortas cheias de amorosas palavras.
Ou junta tudo pra sempre, sem volta.
Ou me descola as almas agora,
Me desconsola.
Me deixa sola,
surda e muda,
Pra ver se eu aprendo de vez que amor
É mais silêncio que
poema.
Se fosse tricoteira,
Como as de minha linhagem
compraria somente novelos emaranhados.
Desfaria nós,
desenlaçaria fios,
num ballet de achar-a-ponta-passar-por-dentro
por-fora-volta-vai-desenrola.
E quando a linha,
desempedida de desvios,
repousasse aguardando as agulhas,
Eu suspiraria a contemplar minha obra:
um novelo liberto.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Poeminha pra peter pans de pedra

Ah, esses meninos que teimam
em colecionar pedras nada preciosas,
emparedam-se vivos, montando uma coleção
que vai pra museu nenhum.
Ah, se essa rua fosse minha eu mandava
arrancar, lavar, e banir
essas pedrinhas das suas mentes brilhantes.
E depois ia brincar com eles,
que nem me aguentam
tão feliz e saudável
e me deixam assim
a ver navios afundados
em latas de coca-cola.

des-espera

Há esta menina que te espera impaciente.
Enquanto vives sonetos de incômodos
nos lugares feitos para desobstruir
o que teus atalhos bloquearam.
Há esta menina que se fez mulher no aguardo da cura e,
Pénelope,teceu em livro trapos poéticos a ti confiados.
Há eu, essa em fêmea feita que monta um quebra-cabeça
de"sem-falta amanhã" e "daqui dois dias"-equivalentes peças.
Há essa represa-mulher enlouquecendo por abrir comportas
e permitir inundações.
Mas "água o amor não é".
Então estanca, segura o intangível líquido em fuga.
Pra que tudo isso termine-nunca em amor
não em copo d`água.

o arco e a flecha

Amo o que está longe,
e também e mais intensamente
o que de mim se afasta lentamente.

Amo o horizonte onde nunca
Acerto a flecha.
Amo o disparo e o caminhar para ele.
Muito mais que a meta.

Amo a corrida, amo nunca chegar.
O desejo que se desfaz
Em outro mais distante
Quando atingido, amo.

Amo queimar meu navios
Quando chego ao cais.
Amo isso tudo
e sempre mais.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Arte urbana 1 - lambe de peixes num mar magenta




Pesca-me sem anzol
Numa trama de vinho vio-lenta.
Toda mergulho – da urbe
Pro mar de dentro.
Eu que vinha volto
pra ver o mar revolto
Dos peixes que fisgam o olhar.

versinho de caderno

Quando gosto de alguém à beça
Acho difícil saber onde termino
E a outra pessoa começa

terça-feira, 22 de julho de 2008

Quero dormir todas as ausências
E despedidas que vem me passeando,
faz dias.
E no sonho, perder dentes, perder chaves
pra acordar com a mão na maçaneta.

sábado, 31 de maio de 2008

video

!Gracias a Mercedes, por haber cantado tanto!

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Uma flor amarela, uma garrafa de vinho e uma canção, toda feita por um menino tranbordante de vergonha, trêmulo e mais amarelo que as orquídeas.
Nada sobrou, morreram as flores, nunca consegui cultivá-las. As minhas , como os amores, são de estação, florescem na primavera e morrem no inverno. Mas as marcas sim, como aquelas que levam os bois.
Esses três presentes foram a eucarisitia de um amor, e na memória ressuscito o menino redentor que um dia , numa ilha, me pescou da tristeza e me pôs de novo num mundo de coisas vivas, pulsando mais que meu coração.
Como que começo a puxar um fio, que vem longo e logo arrasta a ponta e mais o corpo de uma enorme rede de recordações como essa.
Uma mão me puxando pra trás de uma coluna num porão, numa terça e fazendo promessas de um amor que se cumpriria entre versos e vícios.
E também a espera numa rodoviaria, quando já nem mais passagens restavam, quando já a barca cheia sem ele, mas eis que surgiu.
Uma rede com tantos peixes meio-mortos meio-vivos, peixes-paixões que devolvo ao mar. Uns voltam, outros encalham na areia e se afogam de ar, uns nadam tão longe que provelmente nunca. Outros mordiscam meus pés de tempos em tempo, há ainda uns que teimam em ficar presos por uma nadadeira ou rabo, por mais forte que sejam as sacudidas.
Mas algo do trio flor-vinho-canção persisite em mim. Como sonho de coisas que sabemos e não, de certeza que ignoramos por amor ao mistério. Persiste, mais vivo que a manhã de hoje. Um som de sina, quase inaudível emana deles e talha meu peito a ponto de agudo sobre os tímpanos.
Aquilo existiu ou não? existiu aquilo? não. Ou existiu? Aquilo, os olhos, existiu ou...? Não...ou...existiu. Aquilo foi ou nem.
Assim, fica um amor em mim, um cadaverzinho de anjo na minha existência de flor.
E depois vem também um gosto de pinnus elliot e cipreste, e colina na sombra subtropical.
Enterraria meus pés na tua terra, pra sepultar esse anjo morto.
Mas não tão convecida de que o morto vai de fato morrido.
Talvez criasse raízes e daí já viu... E mais: gosto de vento, o teu, aquele que te abraça no canyon e te lambe o corpo nu e cru.
Uma cachoeira de nós, e nós de pinho pra acender a lareira lá debaixo, do chalé é claro.
E não calo, em mim essa coisa clamando: recorda, lembra, revive!
A úmidade das pedras me excita, algo entre refúgio e melancolia com tesão por musgos e laje fria, pelego e tantas hortênsias.
Debaixo da árvore onde me batizaram também te encontro.

Mild

Há dias em que simplesmente não posso mudar o mundo.

E necessito ser mundana.

Me enforca um embrulho na garganta, e meu peito passa o dia oprimindo.

Há, é certo, certos dias em que necessito não sorrir.

Vou ao salão fazer as unhas e falo de futilidades.

Vago penando por vitrines e depois qualquer filme e chocolates finos.

Há esses dias, em que as crianças que morrem de fome continuam morrendo.

E os viajantes sem dinheiro e contra convenções viajam pra longe de mim.

Rezo pra não ser, ou querer ser, mais que mediana, comum, mulher, eu.

Há esses dias, sem revoluções a vista, sem planos de viagem,

sem poemas atravessados.

E um pouco, é verdade, me envergonham – esses dias.


Wild
Mas há também esse dias selvagens,
em que qualquer sinal de doçura e superficialidade
me transtorna.
Em que necessários horizontes infindáveis ferindo minhas retinas.
Há também esse dias, revolucionários e incendiários
em que não me reconheço mulher ou homem.
Numa tentativa fatigante de mais, de nunca, de rupturas de mim.
Em que não me encontro e estou.
Faminta de paisagens eternamente se decortinando,
todas as línguas, muitas tribos,
diferentes medidas e temperos pra apaziguar minha alma.
Há certo, também esse dias.
E me inquietam - esses dias.

...would be easier for them to hobble to town

with a broken leg than with a broken pantaloon. Often if an

accident happens to a gentleman's legs, they can be mended; but if a

similar accident happens to the legs of his pantaloons, there is no

help for it; for he considers, not what is truly respectable, but

what is respected.

(Walden, p. 15)

Cada dia é uma ferida que lentamente se vai abrindo na massa

da vida, do tempo, de um homem.

Cavo meus dias dia a dia , desvelando o oculto entre a terra densa do futuro.

Por vezes tão modelável - barro ou argila.

Mas outras surge pedregosa e árida,

impossível fazer mais que deixar escorrer seca entre os vãos dos dedos.

Também há dias em que parece certo,

e é como se um oco caminho, entre o que cavo,

já estivesse aberto.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

"Feliz é a sociedade em que não leia aquele que não quer ler, mas onde ninguém deixe de ler por falta de livros." José Ingenieros

e eu remendo: ou por falta de saber ler.
Segue a chuva.
Chovendo como se nem.
Como se a vida fosse o que é.
Eu inquieta.
Chove e me pergunto:
brotarão em mim plantas de profundas raízes?
Isso atormenta.
Será que demasiado árido
meu solo pra qualquer coisa mais que efêmeras flores
de estação?
Cantarolava a música:
"Não que eu só vou se for pra ver, uma estrela aparecer..."
O que fazia todo o sentido, visto que caminhava pro café, pra de fato ver se a estrela nascia e aparecia e eu finalmente esqueceria um amor mal acabado.
Na minha frente, absurda coicidência, uma garota, com uma camiseta aberta nas costas. E no balanço cheio de graça , mostrava e escondia uma estrela azul tatuada.
Não conto porque ninguém acredita, então faço mini-contos dessas casualidades que às vezes chego a pensar malditas.
E foi que um novo amor tomou café comigo, mas é desses que brinca de esconde-esconde com o mundo tal qual tatuagem e blusa.
Ilha do Mel, verão 2008

Llena

Conmigo camina
el camino de la luna

Si echas a andar
por la orilla de la mar,
contigo caminará.

Con nosotros camina
el camino de la luna, corre sobre la ola y
va besando la epuma.

Ni viene ni va,
camina y alumbra
y nada más.

Pero siempre te acompañará
el camino de la luna
lamiendo con blancura
la arena mojada de mar.

El hombre caza y lucha. La mujer intriga y sueña, es la madre de la fantasía, de los dioses que le permiten volar hacia el infinito del deseo y de la imaginación. Los dioses son como los hombres; nacen y mueren sobre el pecho de una mujer.
Jules Michelet

terça-feira, 8 de abril de 2008



A pólvora no olhar.

Quando seca não explode.

Junte o que pode e o que não pode

Pro olho transbordar.

Meu cérebro fatigado de pensar em medíocres cotidianidades:

O preço, a limpeza, a ordem

Da casa, do dia, de mim

Mente sedenta de conversar caótica sobre

Constelações recentes, velhos paradigmas quânticos

Quem somos, pra onde nunca vamos

Meu cérebro esgotado

Procura alguém que queira

Descansar também

O Fogo

Desse cordel

Me desenterrou.

Cantando, da boca

Se foi o fel

O flagelo que eu mesma

De mim

No pulo, no grito , na ginga

Desatei o nó

que a garganta emudeceu

A saudade, veio,com seu batalhão

O lirismo veio em forma de santo da terra

Eu furei o bucho do céu

Com a pontiaguda tristeza do olho

E foi que choveu, choveu

E me aliviou

Bate, o pé

E transfigura

O que cantou

O lira

Lírico



Curitiba - PR

AOG 4521

A placa, na esquina , em mim.

Aplaca essa sina que incompreendo.

A voz inaudível contra o inimigo?

Contra a cintura carregada,

contra a covardia motorizada,

o que podiam meus grunhidos?

A jaula da farda, disse o amigo.

Se pudesse - e pôde - fui quase nada.

Antes caísse sobre eles o granizo que depois.

Fosse justo esfarrapasse a fard(S)a.

A menina e

o dobro da força, do tamanho, do peso

em dobro sobre si.

Sobre rosa e jeans na parede.

Então,

o labirinto:

190

100

191

100

0800-0090

Lei (lão)? nosso cotidiano


obs. Esse poema foi escrito sobre fato real

presenciado nas esquinas curitibanas, tal placa anda solta ( AOG 45210) pregada

a uma viatura de polícia militar, por isso caso a vejam preferível correr dela do que dos ladrões!

E os olhos de amendôas líquidas, tive vontade de engoli-los como pílulas pra guardar em mim. Conversa, café, conversa. Depois a insônia, o tempo, da eternidade se abateu sobre minha noite de son(h)o.
Não há mais tempo pra esperas
quando se certifica
que o que vem é possibilidade
de enchente maior que amor

Joguei um anzol que não te pescou?
Ou foi por pisar passo de cautela
que não me suicidei em ti?

Morta pela metade, porque
mal me mataste
ou mal me deixo morrer
por esse punhal de
jogo do santos no domingo?

Todas as perguntas ficaram em
mim, movimentando velhos fantasmas

Vem, com tua arca cheia de casais
que teu par te espera

A noite promete escândalos
do coração
os poetas são os vândalos
Receita de homem

Os grosseiros que me perdoem
mas gentileza é fundamental.
E mais que isso um, certo ar de advinho,
pressentir o desejado antes da expressão.
Um homem de verdade não precisa saboneteiras,
mas é essencial que saiba apreciá-las com o exato requinte
e a devida voracidade, tudo dosado e em constante equilíbrio.
É preciso também que seja bonito,
os ombros em ângulo reto com o tronco e o pescoço deve mostrar músculos
capazes de sustentar uma cabeça paternal, atenta ao corpo feminino.
É importante que a mulher adivinhe nele um interesse por
outras fêmeas, mas que este se mantenha velado e dúbio. E que na maior parte do tempo ela se sinta um exemplar raro
da espécie.
E, não sendo belo, que tenha um ar intelectual e seguro, algo
pousado entre o severo e o paternal, pronto a sempre responder a todas
as divagações femininas, completar as teorias que invente a companheira e nunca, nunca
fazer demasiadas perguntas.
Há a necessidade de um mínimo de vaidade, disfarçada em desalinho.
Perfume em quantidade nunca suficiente
para impedir que o aroma próprio não possa ser advinhado.
As mãos são essenciais, mais que elas o toque, porque de fato o homem de verdade
não reside no santuário físico que comporta e sim na postura e uso que faz do que lhe regalou a natureza.
Firmes, nunca podendo ser frias, e que toquem a mulher em diferentes ritmos ao longo do dia.
Às vezes carícias paternais nos cabelos,
outras com mais firmeza na cintura e costas e com extrema leveza ao tocar a face.
Os seios e as nádegas, devem ser deixados para o toque na intimidade, sempre de forma definitiva e desejosa, evitando com isso
a banalização.
Mas o mais importente é que a mulher tenha sempre
a sensação de que desfalecendo ao lado do homem, por qualquer súbito motivo, esse,
com seu ombros esquadrinhados, o pescoço forte e as mãos com a necessária intensidade,
ou simplesmente com uma aura de sabedoria , seja capaz de impedir sua queda com tranqüilidade.
Deve também um exemplar masculino autêntico gostar de crianças, animais, livros e plantas e sempre que
possível mostrar interesse por cores de esmalte e cortes de vestidos, bem como modelos de sapatos e tamanhos de bolsas.

poeminha cansado

Me cansa essa chuva no molhado
de todos os que dormem no ponto
e saem tocando trombetas para o lançamento
de uma reedição.
Tô cansada de ensinar polícia a prender ladrão,
quem se ama dizer que sim ao invés de tanto não,
mostrar que a mãe veio antes do filho,
que existe mesmo na vida pra cada trem um trilho.
Me cansa esse nhémnhém de amanhã me curo,
te procuro e faça um seguro.
Já não tenho humor pra todos que latem
e nunca me mordem,
pros que pregam o caos e vivem na ordem.
Tô agora rezando é pra Deus colocar
cada um no seu devido lugar.

domingo, 30 de março de 2008

Entre tecidos
nós
que amarrados
menos entristecidos.

Nós,
entre retalhos
que antes pedaços
então parte da trama.

Nós
retalhados tecidos
do grande trapo: a vida.

En Grécia. En mi bolso.
María.
Moreno, pero los ojos verdes.
Frías. ¿Fríos?
Muy caliente.
La capital de Argentina, María.
Cansados. Sucios. Sueño.
Casadas.
Unos animales enormes.
¿Hijos? Lejos.
Llorando, porque hambre.

Las madres de la Plaza de Mayo.
Y yo sin hijos.

Porrada tua de cada dia

Me dá hoje a compreensão

De que os homens só amadurecem

Quando as mulheres já estão pra lá de apodrecidas.

Faz com que eu acomode

Tanto incômodo ao meu redor

E que não me firam

A baba e o tesão que lhes escorre

Enquanto meu coração desfaz-se líquido.

Porrada tua de cada dia

Santificado e poético

seja teu efeito

Dolorido e agudo

em meu peito.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Entender é mais que amor.

Deve meu coração suspender em sístole

até que diástole.

No silêncio do cardíaco, tantas coisas advinho.

A minha fome constante, só Deus sacia.

Esses labirintos em mim,

as curvas volúpias que meus seios nem.

Um sim, abriria comportas.

Nem pedras, nem dores,

a enchente te carregará entre peixes rosa-vulcão, cascas velhas de siri

E eu, pra sempre: concha do teu molusco.

Terminar um amor como quem abotoa

o peito fosse camisa de pijama.

O dia coube todo nesta frase:

-As coisas nascem e morrem no exato momento em que devem, e isso é estranho.

O dia começado na madrugada fria de maio,

em que, agudo, decobri que

não podia te esquecer porque necessitava nunca ter te conhecido.

Sabe, talvez, morrer a si ou se deixar viver demasiadamente.

Como sustento essa ponte de certezas, se em mim é móvel toda possibilidade de respostas?

Calma e corações em mistérios.

O que me dão e o que me tirarão.

Não desfalecer antes do golpe final. E depois também não.

Encontrem-se oceânos e cruzem-se os caminhantes aquáticos.

Miro a Miró sob a parede da sala.

Sobem desejos guardados em gavetas bem pequenas.

Entre colcha, coxas e concha: meu.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008


Só depois de ti

soube que tinha meu corpo

um límpido som

a emitir.


Depois de tuas palmas sobre mim,

mornas como compressas

soube que me habitava

essa partitura oriental.


Era, antes, como se

sempre me tivessem por piano,

pressionando pretos e brancos

que nem existiam.


Mas, sendo esse instrumento

de cordas frágil, desafinava

sem saber

por que.


Só depois de ti,

o entendimento de que

me tomavam por viola,

me violavam:


enquanto eu, pequeno violino.

domingo, 10 de fevereiro de 2008


Conversa de fim dos tempos



Desocupa-se a vaga ao lado da velhinha mais jovem, a velhinha mais velha no banco de trás ensaia trocar de lugar.

-Espera, espera senão você cai.

A terceira velhinha introduz-se na conversa:

-É mesmo , vou segurar firme, é um perigo...

A primeira velhinha, entre o constragimento e o desabafo, sorri:

-Semana passada eu caí...

O cheiro de tempo pelas minhas narinas a dentro, qualquer coisa de prelúdio emana daqueles corpos enrugados e lentos que só os velhinhos possuem.

A história das coisas bonitas

Um dia, quando já não havia mais lugar para as fábricas, reuniram todas as coisas bonitas no pátio. E com seus pesados machados de mármore negro começaram a destroçar as coisas bonitas. Fazia sol, e as coisas foram reduzidas a pó.

Depois do esforço de muitos dias o suor escorria pelos rostos. Por debaixo das roupas estavam úmidos. E os homens, dentro de si,desejavam um vento que lhes aliviasse o corpo.

Foi aí que começou a soprar o vento de Cândida Erendira. Forte e constante entre os prédios da fábrica, cantava. Os homens se sentiam refrescados. Beijava-lhes o invísivel e o suor ia com ele. Olharam, então, para o lugar onde haviam deixado destruídas as coisas bonitas. E os milhares de grãos de pó já não estavam lá.

Assim foi que as coisas bonitas se espalharam pelo mundo.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

ossatura IV

Ele me sugou até os ossos,

chupou o tutano com aquele asqueroso ruidinho

e quando viu como eram duros de roer

abandonou o esqueleto inteiro

E esquelética deambulo
atrás de dentadura mais resistente
que a ossada que me resta.

Esse ácido urbano

que corrói uns ferros retorcidos dentro de mim

e ardendo essa parte minha entre coração e umbigo.

Desabotoou my belly button pra ele

pra você, pro mundo.

Em casa entro refugiando

meus algodões encharcados de sangue

e essas partes de rosa antigo y rojo que me

deslizam...

Escadas escaladas como se necessário esforço

pra exílio.

Prenhe de mim, prestes a nascer essa filha que eu.

Uma coisa anunciando o desencontro yo/mundo.

Fechando os olhos,

abro as janelas.

Eufeminista

Ele perguntou grave:

- Você é feminista?

Assim olhos de fundo de mar.

Ao que revelou suave:

Quero viver a minha uteralidade.

Ser esse caminhar ritmo inconstante como sendo o natural.

Viver o rir gargalhar gritar da instabilidade policística.

chorar chorar calar

Sem imposta retidão hormonal.

Sem eixo x/y do cartesiano masculino.

O sentimento desobstruindo lógicas de estampa de gravata.

Chego ao endereço sem mapa, porque nasci com a bússola por dentro.

Deixa eu domar cabelos e emoldurar sorrisos em troca da tua cara de

satisfação na porta.

Quero mergulhar água de ervas e te esperar desmaiada em besteiras românticas.

Deixa eu falar voz de menos de um grama, assim leve

quase sussurro sempre.

Permita-me, com gentileza, mais alvura, menos peso, menos músculos.

Chorar sozinha na janela enquanto me faço em bolo de teu preferimento.

Deixa eu ler Adélia Prado e a igualdade dos sexos abandonando-me.

- desabafou peso de mundo lastimando ovários.


Série Aquosa

I

hoje abracei o filtro pensando em você

e me afoguei no gole d’água

tamanha era a minha sede.

II

Transbordando

incontível amor

que em mim-compartimento

Empresta um corpo

o teu,

pra sangria desse amor sobre.

III

Minha cabotagem diária

encurtados oceanos

mas inestancáveis águas

em íntimas comportas.